quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
domingo, 14 de novembro de 2010
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Escrevo de Bogotá
Olá,
Mais uma actualizaçao, neste momento estou em Bogotá e a minha mota nao sai da garagem faz quase 3 meses. Já me olha de lado! Mas como disseram A viagem nao é ir do ponto A ao ponto B, mas tudo o que se passa pelo meio. Pois ha que aproveitar as oportunidades e neste momento tenho uma boa. Acontece que a conjectura macro tanto da Colombia como da America latina é boa na minha área de trabalho, como Estratega digital em uma agencia digital. Abriram-se portas e pura e simplesmente nao lhes pude virar as costas, e como me atirei de cabeca a esta viagem, tambem me estou a atirar de cabeca para as portas abertas. No fundo, estou a ganhar mais experiencia de trabalho e o mais importante de tudo, capital.
Alasca continua nos meus planos, capitalizar-me , bogota e trabalho sao so um meio de atingir os fins. Com isto em mente, levanto-me todos os dias, feliz, sabendo que estou um pouco mais proximo do alasca.
Quanto à minha rotina diaria, nao varia muito das vossas, pois trabalho full time, e time de agencia que para quem trabalha ou trabalhou, sabe bem que nao ha horarios. Já tenho bons amigos Colombianos o que torna a minha tarefa muito facil, realmente estou a adorar esta fase estática da viagem.
Vou contando mais, menos espaçado pois a rotina nao permite grandes aventuras no espirito em que este blog foi creado (sim, tenho muitos filmes, muitos censuráveis, mas isso seria noutro blog com outras condiçoes e talvez ate com um Heterónimo)
Um grande abraço a todos os que me seguem dando apoio e a todos os que estao em Portugal.
p.s. chego a lisboa dia 15 de julho, para ficar um mes (ferias) gostava de estar com todos os que me escreveram... Apos o mes, volto a Bogota, para me continuar a capitalizar.
Grande Abraço,
Elvaipe
quarta-feira, 10 de março de 2010
Estou vivo
Pois devo um grande pedido de desculpas. Sumi, mas nao morri. Quem viajou e chegou ao fim da viagem sabe que é muito dificil retomar um blog de viagem. Pois foi o que se me passou, nao que a viagem tenha acabado, mas esta em pausa.
Pois bem, a ultima vez que escrevi, estava em bogota... na verdade... sigo em bogota, mas nao em regime de viagem. Tenho casa, contas e responsabilidades ca. Pois é verdade, fiquei a viver ca.
A mota segue ca, mas trocada pela minha querida bicicleta; a fiel companheira diaria... ela vai ao trabalho, ao supermercado, passear... a mota, um pouco ciumenta descansa forte na garagem.
Pois infelizmente nao tenho muitas historias dignas de partilhar... (num blog)
Rotina igual a vossa 8am. trabalho, quando acaba, casa... pois raramente acaba a horas decentes de algo mais... trabalho numa agencia digital, tal como em lisboa, com os mesmos stresses e a mesma falta de horarios.
6 feira saida, tal como em lx, sabado descanso, domigo bicicleta e familia... tal como lx...
Segui este caminho porque sentia que a minha viagem precisava de uma pausa...
Segui este caminho para ter a certeza que conseguia voltar e surpresa, tal como bicicleta, nunca se esquece.
A boa noticia: A viagem vai continuar, alasca como destino.
A boa noticia: Posso trabalhar onde quer que queira desde que haja net e mercado.
A boa noticia: Sao paulo é a minha proxima paragem estrategica antes de enveredar pela america central, usa, canada e alasca.
A boa noticia: A viagem marcou-me positivamente para sempre... sou nomada, como uma doenca incuravel, mas sem a ligacao negativa a palavra doenca.
A boa noticia: Consegui voltar a escrever no meu blog, apesar do Elvaipe estar a dormir...
Obrigado a todos os que me seguiram e me deram forca...
Vou estando...
Pois bem, a ultima vez que escrevi, estava em bogota... na verdade... sigo em bogota, mas nao em regime de viagem. Tenho casa, contas e responsabilidades ca. Pois é verdade, fiquei a viver ca.
A mota segue ca, mas trocada pela minha querida bicicleta; a fiel companheira diaria... ela vai ao trabalho, ao supermercado, passear... a mota, um pouco ciumenta descansa forte na garagem.
Pois infelizmente nao tenho muitas historias dignas de partilhar... (num blog)
Rotina igual a vossa 8am. trabalho, quando acaba, casa... pois raramente acaba a horas decentes de algo mais... trabalho numa agencia digital, tal como em lisboa, com os mesmos stresses e a mesma falta de horarios.
6 feira saida, tal como em lx, sabado descanso, domigo bicicleta e familia... tal como lx...
Segui este caminho porque sentia que a minha viagem precisava de uma pausa...
Segui este caminho para ter a certeza que conseguia voltar e surpresa, tal como bicicleta, nunca se esquece.
A boa noticia: A viagem vai continuar, alasca como destino.
A boa noticia: Posso trabalhar onde quer que queira desde que haja net e mercado.
A boa noticia: Sao paulo é a minha proxima paragem estrategica antes de enveredar pela america central, usa, canada e alasca.
A boa noticia: A viagem marcou-me positivamente para sempre... sou nomada, como uma doenca incuravel, mas sem a ligacao negativa a palavra doenca.
A boa noticia: Consegui voltar a escrever no meu blog, apesar do Elvaipe estar a dormir...
Obrigado a todos os que me seguiram e me deram forca...
Vou estando...
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Bogota
Colombia, o país da filicidade, o rouba corações...
De Popayan fui a Cali, uma cidade quente em todos os sentidos, onde me encontrei de novo com o Pete. Estivemos um dia num hostel em que o dono viajou de mota pela a america central, casou com uma colombiana e agora têm o Hostel muito simpatico e uma bebe tambem muito simpatica...
Fran, a minha amiga canadiana, a que me acompanhou em cusco, val sagrado, macchu picchu... estava em bogota em casa da sua familia e convidou-me para um almoço de despedida em casa de uma tia, nos arredores de Bogota - Chia dando-me uma data, um objectivo... tinha que estar em Bogota mais tardar no sabado, e assim foi... Sabado de manhã, partimos para Chia, a Fran, eu, a tia Consuelo e o Kasma, um amigo japones...
Lindo, mais uma vez me senti em familia, unida como dificilmente se vê... chegamos cedo para ajudar a preparar um prato tipico da colombia, o ajiaco, um caldo de galinha com 3 tipos de batatas diferentes, salsa, azeite, sal, natas, milho e mais uns truques que se me escaparam.
A mim ao Kasma e a tia Consuelo, tocou-nos cortar as batatas... (a tia Consuelo, eu, a Fran e o Kasma)

Lição de origami dada pelo Kasma... o prateado da esquerda é um mutante feito por uma prima da Fran cheia de jeito...
A minha familia... Nunca mas nunca os hei-de esquecer... cada um roubou um pouco de mim e eu deles...

De Popayan fui a Cali, uma cidade quente em todos os sentidos, onde me encontrei de novo com o Pete. Estivemos um dia num hostel em que o dono viajou de mota pela a america central, casou com uma colombiana e agora têm o Hostel muito simpatico e uma bebe tambem muito simpatica...
Fran, a minha amiga canadiana, a que me acompanhou em cusco, val sagrado, macchu picchu... estava em bogota em casa da sua familia e convidou-me para um almoço de despedida em casa de uma tia, nos arredores de Bogota - Chia dando-me uma data, um objectivo... tinha que estar em Bogota mais tardar no sabado, e assim foi... Sabado de manhã, partimos para Chia, a Fran, eu, a tia Consuelo e o Kasma, um amigo japones...
Lindo, mais uma vez me senti em familia, unida como dificilmente se vê... chegamos cedo para ajudar a preparar um prato tipico da colombia, o ajiaco, um caldo de galinha com 3 tipos de batatas diferentes, salsa, azeite, sal, natas, milho e mais uns truques que se me escaparam.
A mim ao Kasma e a tia Consuelo, tocou-nos cortar as batatas... (a tia Consuelo, eu, a Fran e o Kasma)
Lição de origami dada pelo Kasma... o prateado da esquerda é um mutante feito por uma prima da Fran cheia de jeito...
Desporto nacional... Jenga... (3 primas da Fran)
Depois de um belissimo almoço, cheio de gargalhadas, vieram as lagrimas... a hora do adeus...
Foi um sabado de felicidade pura...
Fran I will never forget you!!!!!Bogota parte II
Pouco antes de chegar à Colombia, descobri que tinha cá um tio avô a viver. Alguns telefonemas e convidado a conhecê-lo.
O Henrico, filho da minha tia, ou seja, meu primo 'politico', foi-me buscar ao hostel onde estava. Parece que a zona não era muito segura... Fomos almoçar a um restaurante muito simpatico, onde provei mais um dos fantasticos pratos tipicos da colombia (não disse ainda, mas na colombia come-se muito muito bem)... conversamos, conversamos e 4 (sim quatro) horas passaram... chegou finalmente a hora de conhecer as lendas da familia, o meu tio avô Alexandre e a minha tia avó Fiorella...
Braços muito abertos e sorrisos rasgados de orelha a orelha foi o que me esperou quando entrei em casa... Não tenho palavras para descrever a simpatia de toda a familia...
Jantar de recepção em minha honrra... o melhor jantar dos ultimos muitos anos... sem exagero... dos top 3 da minha vida...
Um dos dias fomos a capela do sal, uma capela esculpida numa mina de sal... brutal, cruz de 15 etros de altura na nave principal da capela de sal... a 180 m de profundidade o que faz a capela mais profunda do mundo....
Estou em casa do meu tio avô... tenho um lar uma familia... que posso mais eu querer ? esta é a cereja em cima de um ja muito bom bolo... é o toque final... Descobri as minhas raizes, conheci uma parte de mim, tudo por ter conhecido a minha familia, o meu sangue a meio mundo de distancia...
O avô que nunca tive... (Alexandre)
A 'tia avó' que sempre quis ter... (Fiorella)
O 'irmão' que teimou em não nascer apesar de o querer ter... (Henrico)
As 'primas' super hiper simpaticas que me adoptaram como primo de sangue... (Fioretta, Caroline e suas filhas)...
A 'tia avó' que sempre quis ter... (Fiorella)
O 'irmão' que teimou em não nascer apesar de o querer ter... (Henrico)
As 'primas' super hiper simpaticas que me adoptaram como primo de sangue... (Fioretta, Caroline e suas filhas)...
E que dizem desta fotografia dos meus tetra-avôs com a minha tri-avó ?

Sinto-me o mais sortudo do mundo... não tenho ouro mas tenho amor...
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Baños, Quito e Colombia
Fui para Baños, uma terra no equador que me disseram que era linda... e realmente confirmou-se, um vale, rodeado de montanhas verdes, cataratas.. lindo. Lá, combinei com o Pete, um dos meus amigos autralianos que fez a bolivia comigo, encontramo-nos e assim foi. Experimentei cannyoning, uma especie de rappel mas nas cataratas de um rio... adorei
Um casal de japoneses, a fazer a mesma volta que eu, mas numa acelera 90... Brutal


A fabulosa vista de um volcan de casa do Nico
Arranquei domingo, depois de um fabuloso pequeno almoço em familia, com destino o mais a norte possivel, se conseguisse, colombia. Não consegui, ficou quase de noite e parei em Tulcan, cidade muito feia na fronteira com a colombia.
Um casal de japoneses, a fazer a mesma volta que eu, mas numa acelera 90... Brutal
Quando estava a ir de cuenca para baños, a estrada começa a ficar com uma areia fina preta, até que desaparece.... foi o volcan Tungurahua, que teve uma erupção grande em 2006 e comeu a estrada...
Fim da estrada... foi uma erupção grande, segundo soube...
Tive que voltar para tras e ir dar uma granda bolta para chegar a baños. Nesse dia, o Pete chegou...
No dia seguinte, tinha marcado cannyoning, num rio perto. Como tinha chovido a noite toda, havia muita agua, o que tornou a experiencia muito mais adernalinica.
Vista do rio, aqui começava a catarata de 48 m que iamos descer. Brutal
A tal catarata de 48 m... reparem no centro da fotografia... sou eu!!!
Ficamos 2 noites em Baños.
Em oruro, nabolivia, conheci o Nico, que estava a fazer o big loop tambem de mota, e voltamos a encontrar-nos em la paz....
O Nico é americano, mas vive em quito há muitos anos e (há 2 meses atras) disse que se tivesse em quito quando eu chegasse, que teria casa, comida e roupa lavada. Mandei mail e... Convidado!!!
chegando a quito, eu e o pete separamo-nos, ele ficou num hostel e eu fui para casa do Nico... Fiquei la 3 noites... fui adoptado outra vez pela familia toda... super simpaticos, trataram-me como se fosse filho e irmao... brutal, foram 3 dias fablosos, mas como estou a ficar sem tempo, resisti à tentação de ficar mais tempo.
A minha mota e a do Nico, uma BMW 1150 GS
Segunda de manha cedo, arranquei para a Colombia. Na fronteira, tudo foi muito rapido e facil e a minha entrada, triunfal... Estava muito feliz.
Todos os viajantes que encontrei e alguns amigos portugueses, disseram que a colombia é fabulosa... confirmou-se... paisagens lindas, estradas boas com vista brutal, pessoas muito mas mesmo muito simpaticas e barato... Fiz um pequeno filme na colombia, a caminho de Popayan, onde estou agora. A paisagem é completamente diferente de tudo o que tinha visto ate agora... apanhei a minha primeira chuvada tropical...
viva a colombia!!!!!
domingo, 9 de agosto de 2009
Huaraz - Cañon del Pato
Já estava com saudades, muitas saudades. No dia 3 de agosto, dia em que fiz quatro mêses, tive um presente.
Seguindo o conselho do argentino que viajava há 4 anos de mota, saí de Haraz, com destino à costa de novo, onde apanhava a panamericana para norte... o verdadeiro presente estava para vir e não sabia - Cañon del pato, fica entre Huaraz e a panamericana.
Arranco tarde, pelas 10:30 a.m. com estrada boa... uns km's andados e começa uma vista inacreditavel, com boa estrada de montanha. Boas curvas, boa vista, dia bonito, 28 graus... perfeito.
A cordilheira branca à minha esquerda com neve no pico:


Avanço uns bons km's e entro num cañon... lindo, continua bom alcatrão, mas cada vez mais fininho... isto promete, comentei com os meus botões:




Espectacular, mas esta estrada está no top 5 das piores que que fiz, incluindo as da bolivia... LINDO!!! vou devagar; o piso está mesmo mesmo muito mau, muitas pedras grandes, uma distracção e chão de certeza!




estou muito bem a andar quando... 3 ciclistas, numa das piores estradas.... Paro um pouco, conversamos... vão tambem muito devagar, e vão ficar numa vila pequena que há no caminho. têm 4 horas de luz, 35 km a subir e com muito mau piso...
e partem...
ao fim de 75 km's de estrada muito má mas linda, chego finalmente ao alcatrão. A mota ficou toda cagada, como gosto e tive pela primeira vez danos materiais... um dos elasticos que uso para segurar o pneu subsalente partiu de uma forma inacreditável (foi preciso muita força para ter partido como partiu e não o usava com muita tensão) e o chumbo que calibra a roda da frente, nem vê-lo, mesmo usando tape para evitar que caia... Prova das péssimas condições da estrada...
Seguindo o conselho do argentino que viajava há 4 anos de mota, saí de Haraz, com destino à costa de novo, onde apanhava a panamericana para norte... o verdadeiro presente estava para vir e não sabia - Cañon del pato, fica entre Huaraz e a panamericana.
Arranco tarde, pelas 10:30 a.m. com estrada boa... uns km's andados e começa uma vista inacreditavel, com boa estrada de montanha. Boas curvas, boa vista, dia bonito, 28 graus... perfeito.
A cordilheira branca à minha esquerda com neve no pico:
Avanço uns bons km's e entro num cañon... lindo, continua bom alcatrão, mas cada vez mais fininho... isto promete, comentei com os meus botões:
Até que ... TERRA!!! já não tinha uma estrada de terra há algum tempo... HUUHUHUHHU!!!!
Espectacular, mas esta estrada está no top 5 das piores que que fiz, incluindo as da bolivia... LINDO!!! vou devagar; o piso está mesmo mesmo muito mau, muitas pedras grandes, uma distracção e chão de certeza!
Vista espectacular do cañon del pato... infelizmente as fotografias não lhe fazem justiça:
Por esta altura a estrada fica mesmo mesmo má, é promovida ao top 3 das piores em piso, mas top 10 em vista...
tuneis interminaveis com muito mau piso, terra, areia, pedras muito grandes, tudo isto sem se ver bem, pois tava muito sol fora...
-boa sorte, desejei...
Mota toda cagada....
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
4 meses de viagem !!
Hoje faz 4 meses que deixei lisboa...
Ainda me lembro, exactamente ha 4 meses atras... foi uma 6 feira... o carro (da minha mae) que tinha levado para a noite de despedida, na 5 feira, foi rebocado, nao tinha as malas fechadas, tinha o gps na touratech, perto de sintra, estava de ressaca e tinha o aviao as 2 da tarde... a mota esta encaixotada algures a espera de ser embarcada, o documento unico estava com o meu amigo Nuno quem iria despachar a mota...
Estava uma pilha de nervos, nao queria despedir-me de ninguem, ver ninguem.. apenas enfiar a cabeca num buraco e pensar que nada passava de um pesadelo. Propositadamente evitei dizer a data certa de partida a familia... o que o fiz dois ou tres dias antes do dia D... o mesmo fiz a alguns amigos, a ultima coisa que queria era meia duzia de caras assustadas de olhos arregalados, a olhar para esta cara, encharcada pelas lagrimas...
...A cabeca nao parava... carro... esta na policia... malas... abertas... aviao... 2 pm.... gps... sintra... ressaca... passaporte... nao esquecer...
Arranco com o zezinho e a minha mae para o aeroporto... fomos quase em silencio, eu cabisbaixo, o zezinho nervoso e a minha mae nem se fala. Chorava... a alma chorava, negra... os homens tambem choram...
sera esta a ultima vez que vejo estas ruas, estes carros, estas gentes, esta familia ??? no na garganta, um esforco gigante para nao me desfazer em lagrimas... tenho que me mostrar forte, nao posso... nao quero, nao molharei os olhos...
agarrei as malas, dei um beixo de soslaio e parti sem olhar para tras.
20 minutos depois estava com a Ana, uma lufada de ar fresco, um raio luminoso nesta alma negra... Obrigado Ana!!! afinal nao preciso de me mostrar tao forte, tambem posso aceitar uma mao amiga de vez em quando, nao tenho que digerir tudo sozinho...
4 meses depois...
agora tenho medo... outra vez... como sera voltar a ver essas ruas, esses carros, essas gentes.... Como sera acordar uma e outra vez para fazer o mesmo, sem ter que olhar para o mapa, sem ter que tomar decisoes importantes todos os dias, sem ter o mundo a meus pes... como sera, tirar a mota da garagem, ligar o piloto automatico, e deixar-me ir, por essas ruas tao minhas conhecidas... como sera ter uma vida igual a tantas outras, moldada, pre determinada sem grande margem para imprevistos... como sera ?
Nao sei, mas uma coisa tenho a certeza... somos muito mais fortes que imaginamos... assim como tive medo de dar o passo, deixar tudo para tras, mas fi-lo e rapidamente o superei, tenho a certeza que o mesmo acontecera, decida o que decida, e que me adaptarei seja ao que for...
Somos fortes, muito mais fortes que imaginamos!
Ja nao tenho medo, nem de voltar, nem de continuar...
ate ja, ate amanha, ate um dia destes...
Ainda me lembro, exactamente ha 4 meses atras... foi uma 6 feira... o carro (da minha mae) que tinha levado para a noite de despedida, na 5 feira, foi rebocado, nao tinha as malas fechadas, tinha o gps na touratech, perto de sintra, estava de ressaca e tinha o aviao as 2 da tarde... a mota esta encaixotada algures a espera de ser embarcada, o documento unico estava com o meu amigo Nuno quem iria despachar a mota...
Estava uma pilha de nervos, nao queria despedir-me de ninguem, ver ninguem.. apenas enfiar a cabeca num buraco e pensar que nada passava de um pesadelo. Propositadamente evitei dizer a data certa de partida a familia... o que o fiz dois ou tres dias antes do dia D... o mesmo fiz a alguns amigos, a ultima coisa que queria era meia duzia de caras assustadas de olhos arregalados, a olhar para esta cara, encharcada pelas lagrimas...
...A cabeca nao parava... carro... esta na policia... malas... abertas... aviao... 2 pm.... gps... sintra... ressaca... passaporte... nao esquecer...
Arranco com o zezinho e a minha mae para o aeroporto... fomos quase em silencio, eu cabisbaixo, o zezinho nervoso e a minha mae nem se fala. Chorava... a alma chorava, negra... os homens tambem choram...
sera esta a ultima vez que vejo estas ruas, estes carros, estas gentes, esta familia ??? no na garganta, um esforco gigante para nao me desfazer em lagrimas... tenho que me mostrar forte, nao posso... nao quero, nao molharei os olhos...
agarrei as malas, dei um beixo de soslaio e parti sem olhar para tras.
20 minutos depois estava com a Ana, uma lufada de ar fresco, um raio luminoso nesta alma negra... Obrigado Ana!!! afinal nao preciso de me mostrar tao forte, tambem posso aceitar uma mao amiga de vez em quando, nao tenho que digerir tudo sozinho...
4 meses depois...
agora tenho medo... outra vez... como sera voltar a ver essas ruas, esses carros, essas gentes.... Como sera acordar uma e outra vez para fazer o mesmo, sem ter que olhar para o mapa, sem ter que tomar decisoes importantes todos os dias, sem ter o mundo a meus pes... como sera, tirar a mota da garagem, ligar o piloto automatico, e deixar-me ir, por essas ruas tao minhas conhecidas... como sera ter uma vida igual a tantas outras, moldada, pre determinada sem grande margem para imprevistos... como sera ?
Nao sei, mas uma coisa tenho a certeza... somos muito mais fortes que imaginamos... assim como tive medo de dar o passo, deixar tudo para tras, mas fi-lo e rapidamente o superei, tenho a certeza que o mesmo acontecera, decida o que decida, e que me adaptarei seja ao que for...
Somos fortes, muito mais fortes que imaginamos!
Ja nao tenho medo, nem de voltar, nem de continuar...
ate ja, ate amanha, ate um dia destes...
Aniversario - 4 meses ou 120 dias de viagem!
Pois é, faz hoje 4 meses que deixei lisboa com o coracao na garganta e lagrimas na alma... Sim os homens tambem choram! Nao durou muito, as lagrimas secaram rapido e a alma ficou cheia... cheia de muitos sentimentos, o medo fugiu com o rabo entre as pernas e agora, 120 dias depois so tenho medo de uma coisa... VOLTAR...
como sera ? sera que me adaptarei a rotina ? acordar de manha, ir trabalhar o dia todo, esperar 5 dias pelos 2 dias magicos que logo terminam... recomeca o ciclo todo... a certeza do dia seguinte, da semana, do mes, do ano... que sofoco!
ok, mas por outro lado tenho os amigos... mas como me disseram ja varias vezes, esses nunca se perdem, pelo menos os amigos amigos... se tenho saudades ? sim, uns dias mais que outros, mas a verdade é que o medo de voltar é maior que as saudades...
Eu sabia, tu sabias, ele sabia... nos todos sabiamos, uma vez sentida a liberdade... perde-la doi, doi mais que tudo...
...talvez o truque esteja em encontrar a liberdade que ha dentro da rotina... quem sabe...
como sera ? sera que me adaptarei a rotina ? acordar de manha, ir trabalhar o dia todo, esperar 5 dias pelos 2 dias magicos que logo terminam... recomeca o ciclo todo... a certeza do dia seguinte, da semana, do mes, do ano... que sofoco!
ok, mas por outro lado tenho os amigos... mas como me disseram ja varias vezes, esses nunca se perdem, pelo menos os amigos amigos... se tenho saudades ? sim, uns dias mais que outros, mas a verdade é que o medo de voltar é maior que as saudades...
Eu sabia, tu sabias, ele sabia... nos todos sabiamos, uma vez sentida a liberdade... perde-la doi, doi mais que tudo...
...talvez o truque esteja em encontrar a liberdade que ha dentro da rotina... quem sabe...
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Cai neve no Peru! De Cusco a Lima
9.00 Am. Mota carregada pequeno almoço tomado e arranquei de Cusco. Tinha um longo caminho pela frente, se queria dormir em Nazca. Há muito tempo atras, encontrei um casal ainda na Bolivia a viajar desde o norte dos estados unidos, que me disseram que fizeram 12 horas de conduçao; vamos ver!
A estrada é boa.
O caminho é para sudoeste. Uma horas depois chego ao rio apurimac, o mesmo que fiz em rafting. Muito calor e muitos mosquitos. Paro só para eternizar o momento:

Continuo sempre sem parar... Vejo umas cordilheiras ao fundo, mas nao percebo as implicaçoes...
Começo a subir, a subir... quando olho para o GPS estou a 4700 m, outra vez. A nivel de efeitos da altitude, nao sinto nada, mas o frio.... bem o frio... O fato é muito bom e suporta bem o frio, mas o elo mais fraco vem sempre espreitar.
Quando fui roubado em sucre - bolivia, fiquei sem luvas. Umas belas luvas muito boas para o frio.
Claro que neste canto do planeta arranjar umas boas luvas de mota nao é facil; conclusao, comprei ainda em sucre, umas de motocross, a unica coisa que arranjei... finas, muito boas para guiar mas com calor. Ora sem sol, com -3 graus e isto durante algumas horas, pode dar mau resultado. So me lembrava dos sem dedos, os alpinistas. Quando a dor se tornou insuportavel, e toda a sensibilidade foi perdida de tal modo que nao conseguia travar com a mao e nao embraiava para mudar as mudancas, tive que parar, bem no alto da cordilheira, e por as maos no corpo.
Nevava um pouco e havia gelo na estrada.
Os dedos estavam roxos e ja nao mexiam. Cheguei a temer pelas pontas... mas nada se passou a nao ser estas ter tirado estas fotografias, nao havia vivalma:







Tendo saido tarde, (o sol ca nasce muito cedo e poe-se cedo tambem) sabia que iria ter que fazer alguma conducao a noite, se queria dormir em Nazca. Apesar da parte dos dedos e do gelo na estrada estava animado e cheio de energia. Passei algumas terras, vendo a energia a desvanecer no meio dos dedos roxos e congelados; estava so com o pequeno almoco na barriga e ja era tarde.
Há duas maneiras de ver as linhas. Ou de aviao, 75 USD, meia hora sobrevoando-as e de longe a melhor maneira, ou num andaime manhoso, na estrada. Depois do roubo da noite passada, fui ao andaime.

Quando parei para subira ao andaime, num espaço que há em frente para estacionar, fui abordado por varias familias para tirar fotos, e bombardeado por inumeras perguntas. Sempre muito simpaticos e mais interessados em mim e na mota que nas linhas de nazca em si. Senti-me uma verdadeira atraccao turistica e estive tentado a cobrar... houve propostas de casamento!
Esta é a arvore, ou sera a mao e a de cima a arvore ? nao da para perceber, muito menos as teorias que as linhas sao feitas por aliens... vi muitas declaraçoes de amor e incriçoes feitas em montanhas (cusco tem muitas) iguais a estas linhas... feitas da mesma maneira... até anuncios a restaurantes... realmente nao percebo, mas devo ser so eu...
Mais do mesmo
Depois de ver e ser visto, arranquei com Lima como destino... estarei la 1 ou 2 dias e arranco para norte... estou muito atrasado.
Convidaram-me a uma cerveja, que troquei por gatorade. Que saudades de pisteras... uma hornet, uma cbr 600 f e uma... R1 com escape completo... estes meninos foram vistos a fazerem uma recta de 1 km toda em cavalinho... dito por uma fonte independente...





Olhó pacifico...

Apos um passeio pela terra e areia da reserva natural de paracas, começou a busca por um sitio para dormir. Primeiro tentei acampar nas praias da reserva natural, mas o vento e o frio lembraram os ainda sofridos rolinhos de carne das pontas dos bracos, que se negaram a montar a tenda. Depois fui ao pueblo pequeno, que tudo o que tinha, estava cheio. Segui para um hotel perto do pueblo, mas so tinha quartos triplos... mau... queres ver que vou ter mesmo que dormir ao frio e vento??? segui para pisco, 20 km norte, mas saí tao depressa como entrei... mais tarde soube que foi sensato, visto ser bastante perigoso. Acabei a pagar ainda mais, no tal quarto triplo. 
Cheguei facil e rapido a lima. Dei umas curvas erradas e senti-me no meio de uma favela... Lima tem 7 milhoes de habitantes e fora do centro é perigoso e mesmo no centro... (no hotel deram-me um mapa e marcaram os limites onde podia andar a pe em segurança... nao tenho muita margem e o hotel fica mesmo mesmo no centro).
A estrada é boa.
O caminho é para sudoeste. Uma horas depois chego ao rio apurimac, o mesmo que fiz em rafting. Muito calor e muitos mosquitos. Paro só para eternizar o momento:
Continuo sempre sem parar... Vejo umas cordilheiras ao fundo, mas nao percebo as implicaçoes...
Começo a subir, a subir... quando olho para o GPS estou a 4700 m, outra vez. A nivel de efeitos da altitude, nao sinto nada, mas o frio.... bem o frio... O fato é muito bom e suporta bem o frio, mas o elo mais fraco vem sempre espreitar.
Quando fui roubado em sucre - bolivia, fiquei sem luvas. Umas belas luvas muito boas para o frio.
Claro que neste canto do planeta arranjar umas boas luvas de mota nao é facil; conclusao, comprei ainda em sucre, umas de motocross, a unica coisa que arranjei... finas, muito boas para guiar mas com calor. Ora sem sol, com -3 graus e isto durante algumas horas, pode dar mau resultado. So me lembrava dos sem dedos, os alpinistas. Quando a dor se tornou insuportavel, e toda a sensibilidade foi perdida de tal modo que nao conseguia travar com a mao e nao embraiava para mudar as mudancas, tive que parar, bem no alto da cordilheira, e por as maos no corpo.
Nevava um pouco e havia gelo na estrada.
Os dedos estavam roxos e ja nao mexiam. Cheguei a temer pelas pontas... mas nada se passou a nao ser estas ter tirado estas fotografias, nao havia vivalma:
Mas sei que sou rijo, principalmente de estomago vazio por isso segui. A estrada sempre boa, algumas partes com curvas adrenalinosas.
Segundo o meu mapa, havia uma terra, pentencial para dormir - Poquio. Ficava a meio caminho, entre nazca e cusco, 6 horas de conducao. Com o sol a ir, os dedos a irem tambem, começo a ver a vida a andar para tras, e nazca cada vez mais longe. Finalmente comeco a descer e a temperatura a subir. Chego a Poquio. Feio e mau é o que me ficou na memoria de Poquio... Foge... Já era noite, quando crusei Poquio e a estrada passa de um belo e liso alcatrao para outro todo partido. Em vez de buracos, tinha o contrario; bocados de alcatrao no meio de um gigante buraco, isto durante 50 km... as vezes nem a 20 Km/h podia ir... noite e o gps marca 1500 m, 2000, 2500... Olho para os dedos e imagino as pontas a fugirem, todas roxas - apanha-nos se conseguires - a contorcerem-se no chao quais minhocas...
Por outro lado, com a minha natural vaipês, sabia que ia chegar a nazca, nem que guiando com um par de coutos na ponta dos braços.
O Esforço valeu a pena e cheguei a nazca inteiro. Foram as tais 12 horas de conduçao, 3 das quais no escuro.
Fiquei no hotel mais caro de toda a viagem, nada de especial.
9 am e arranco, para ver as famosas linhas e seguir a Lima.
Deserto de Nazca:
Como se pode ver, a verdadeira atraccao turistica esta a ficar careca.
Mas como tem sido sempre na viagem, acontece sempre alguma coisa, geralmente boa, que me desvia do plano geral, porque nada é planeado com mais que dois dias de antecedencia.
Encontrei um argentino, que esta a viajar desde o alasca ha 4 anos, solo de mota... bem, meio solo, visto ter sido regalado a pouco tempo com uma cachorrinha... Tivemos bastante tempo a conversa, e deu-me trinta mil dicas e contactos, uma delas de efeito imediato de seu nome Paracas, reserva nacional de paracas. Fica antes de Lima e disse para passar la uma noite.
Ca esta ele:
Ca esta ele:
Uns porreiroes de Ica, uma terra a norte de nazca... mais muita conversa, por isso é que estou a ter dificuldades em cumprir timmings... Preciso de mais tempo, muito mais!! (indirecta, directamente a f6)
Qual o Problema ??? Dia da naçao do Peru e feriados nacionais, nos dois dias seguintes... tudo cheio e a preços mais que inflacionados. Dormi mal, tive pesadelos com Soles (a moeda nacional).
No dia seguinte arranquei cedo, para Lima, estava mais ou menos a 250 km. Estrada boa, deserto de um lado e pacifico do outro. Uma paisagem diferente... for sure...
Pacifico na esquerda e deserto na direita
Pacifico na esquerda e deserto na direita
Perguntei pela centro e parei na praça san martin para ver o mapa e um policia muito simpatico veio ajudar-me... conversa, de onde e para onde vou, quem sou qual o planeta de origem... as perguntas habituais feitas a astronautas... 5 minutos depois fazem-me uma rodinha...
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