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terça-feira, 16 de junho de 2009

This is bolivia... Assalto à mão armada!

Pois é, viagens destas já se sabe. Estou em Sucre, uma cidade grande aqui na bolivia. A cidade é bem bonita, cheia de historia, muito colonial, tranquila.
Ontem, eu e a Cristina, uma Madrilena que conheci em Potosi (a cidade onde estive antes de Sucre, a mais alta do mundo, começando nos 4000 m) fomos dar um passeio de mota. Como só tenho um casco, decidimos ir os dois sem capacete e ainda bem, já vão ver porquê.
Pedi um mapa local no hostel, tirei as malas da mota, o deposito de gasolina, o pneu, tudo menos a top case, onde metemos umas empanadas um sumo e mais algumas coisas para comer. Eram 11:30 da manhã quando arrancamos.

O passeio tinha como destino, umas cataratas, as 7 cascadas, um local bem turístico, a 8 Km's da cidade, para norte.
Encontrar a estrada que saía de sucre para as cascadas foi bastante fácil. Logo acaba o alcatrão e começa os famosos caminhos de cabras da Bolívia, mas este até nem era muito mau. Andamos, andamos, o caminho até estava a ser simpático, boa vista, como íamos sem capacetes, íamos devagar, dava para conversar, andamos bem mais que os 8 Km's para as cascatas. Quando já tínhamos tirado algumas fotografias, visto bem a vista, voltamos para trás, deixei a mota um pouco longe, e entramos no leito de um rio, meio seco, a pé, onde nos disseram que seriam as cascatas.

Andamos, andamos, andamos, passamos umas senhoras que lavavam a roupa no rio quase seco, subimos descemos, tudo lenta e cuidadosamente, para não nos espetarmos.
Lá chegamos à primeira cascata, pequena e quase sem agua... foram mais ou menos 45 minutos a andar no leito do rio seco.
Subimos umas ravinas, e demos com a segunda e terceira cascata, também quase secas e muito pequenas. Nada de especial...
Almoçamos aí, tranquilos, sem rigorosamente ninguém num raio de 30 minutos a pé.
Subimos mais uma ravina, para tentar ver as restantes cascatas... nada de especial, com pouca agua e muito lixo...
Aproveitamos para tirar mais umas fotografias e como o sol já estava a desaparecer, decidimos voltar...


estávamos a descer a primeira ravina quando...~~

-Olá! diz a Cristina a um gajo
não responde, mas era estranho, tinha uma coisa na boca, tipo um pano a tapar...

também digo olá e ele murmura qualquer coisa...

quando reparo na mão vejo que o gajo tem uma pistola na mão direita, a qual abana enquanto diz algumas coisas que ainda não estou a perceber bem.
Alguns segundos mais tarde, PAMMM percebo o que se está a passar... Estamos a ser assaltados, com uma pistola, no meio do nada.

Estamos perdidos....

Tinha o saco de deposito da mota, usando-o como mochila, no meu ombro e o gajo sempre a dizer para dar o saco e manter afastado.
A Cristina tinha uma mochila às costas... sempre a falar com ele, '...tens fome?' temos comida, queres sumo?... eu calado que nem um rato, incrédulo com a situação.
o gajo revista o meu saco de deposito, tirando coisas, umas para os bolsos, outras para o chão. Lá vê a maquina fotográfica e começa a pedir outra.
A Cristina, que tinha tirado as fotos com a maquina dela, não era pequena, tinha-a guardada na sua mochila. Enquanto falava com ele no seu perfeito espanhol europeu a acalmá-lo conseguiu com a maior frieza, por a mão na mochila, tirou a máquina grande e a bolsa com tudo o que era documentos importantes e dinheiro e escondeu nas costas.... O gajo viu movimentos atrás das costas dela e perguntou o que se passava...
Sabem o que a brava Cristina se lembrou ? com uma pistola apontada, na Bolivia, no meio do nada?

-Tenho caca, tenho caca - diz a Cristina, com uma mão atrás das costas a esconder a maquina fotográfica, e com a outra na barriga a fazer movimentos circulares!!! incrível o que o espírito humano e algumas pessoas conseguem fazer, sob risco de vida!!!
Continuava com a pistola na mão, a qual a Cristina pediu gentilmente para ele a guardar. O gajo mete a pistola nas calças, enquanto continuava a revistar o meu saco de deposito, sempre a dizer, queiro plata, mas plata, quiero droga, onde está la droga.
-No temos señor, no temos!! diz cristina com sua doce voz, sempre a acalmá-lo...
-Quiero plata, sabem para quê? para droga, quiero droga!!!

com a minha máquina fotográfica na mão, pede outra, a qual a Cristina responde que não tínhamos, só tínhamos uma e eu assenti e repeti, so temos uma, só temos uma.
-Mas esta plata no chega para nada, quiero más plata... a Cristina sempre a acalma-lo explica numa voz terna que estávamos a passear e não tínhamos mais nada ali, connosco.
Depois de revistar o meu saco de deposito, passa à mochila da Cristina, agora já sem documentos nem a máquina fotográfica dela...

A Cristina sempre a falar com ele, gentilmente, a acalmá-lo... Então o gajo percebe o sotaque espanhol europeu e começa a balbuciar... 25 de mayo... españa... não percebi bem essa parte, mas explicou depois a Cristina, que o gajo a estava a acusar das merdas que os espanhóis fizeram à Bolivia, no passado... DROGADO, FRUSTRADO, NO MEIO DO NADA, COM UMA PISTOLA...
Depois de revistar toda a mochila da Cristina e muita calma da parte da Cristina, lá o convenceu a não nos matar, não nos tirar tudo e nos deixar ir embora... GRANDE CRITINA :)
em passo rápido e descuidado, voltamos pelo rio seco e ravinas, agora sem cuidado nenhum, apanhamos a mota, que entretanto como não tínhamos capacetes connosco, o gajo não percebeu que a tínhamos e bazamos.
Já no hostel, estávamos os dois completamente parvos, só dizíamos merda e gargalhadas... fomos jantar sushi, mal acabamos, com a ressaca da adrenalina, ficamos a morrer de cansados.


This is Bolivia...


Estas fotos foram as que se salvaram do dia do assalto, 'one milion euro fotos'... com a genialidade da Cristina: